Esta minha mania de navegar por blogs mundo afora às vezes me deixa doidinha de raiva do Brasil. Fartura é nosso nome do meio, mesmo. Quando o assunto é moda ecológica, então, somos um feto! Para encontrar uma peça de algodão orgânico, as eco-fashionistas daqui têm que rodar muito - inclusive no google: os dez primeiros resultados da busca são técnicos, não têm nada a ver com moda. E, creiam, elas existem.
Tudo isso para dizer que hoje encontrei um sonho de consumo pra lá de consciente: o The Green Loop. E comecei a me tocar que a gente não tem rede social de compras, não tem marcas consagradas com algodão orgânico - embora as cooperativas já produzam algodão orgânico tingido há algum tempo. E que a grande produtora e incentivadora da “moda verde” é a Osklen, que é cara pra dedéu e não cabe em qualquer bolso.
Eles incubaram um projeto bacanérrimo, o e-fabrics (cuidado, música e intro à vista), que identifica com uma etiqueta tecidos e materiais cuja origem e processo de produção respeitem critérios de comércio justo e de desenvolvimento sustentável.
Ao conceder a identificação e-fabrics a tecidos e materiais, estes são avaliados a partir de cinco critérios de conformidade:
- Matérias-primas de origem sustentável, renováveis ou recicladas;
- Impacto do processo produtivo no meio-ambiente natural;
- Resgate e preservação da diversidade e tradições culturais;
- Fomento às relações éticas com comunidades e colaboradores;
- Design, atributos comerciais e viabilidade econômica.
Bacana né? Tem lá uma lista de alguns materiais e tal… quem usa? Nada. Onde comprar? Nem pensar. E assim caminha a moda “ecológica” brasileira: faz coisas bacanas, cria sites lindos (cheios de música e flash, provavelmente inacessíveis para muitos) e… não conta onde está o ouro.
Como diria o Jorge: cheiro de “lavagem verde” à vista. E eu fico ainda mais mal-humorada quando entro na loja que tem o produto “ecológico” e descubro que não tem o tênis de borracha ecológica no meu número. Não é à toa que o mercado brasileiro acaba pequeno: não tem produto porque não tem consumidor ou não tem consumidor porque ele não acha o produto (a um preço decente, inclua-se)? BAH!
Alguém tem que desenhar para este povo um ponto básico: produto ecológico a gente quer, sim. Mas o preço tem que ser bacana! De que adianta ser caro e poucos comprarem?





11 responses so far ↓
1 Thera Fajyn // Oct 17, 2008 at 10:22 am
Acho que muita coisa sessa linha deve ser artesanal, o que contribui para que seja mais caro… Mas não sei. *-)
2 Cátia Kitahara // Oct 17, 2008 at 12:45 pm
É Lucia, concordo. E acho que a gente tem que ser mais exigente também com as coisas que a gente compra e adotar alguns critérios. Por exemplo, eu adoro as grifes cariocas da moda, tipo cantão, tótem, farm. Mas aí fui comprar uma roupinha na loja da Farm no Iguatemy e na hora de pagar, colocaram meu vestidinho carésimo numa sacolinha de plástico reciclado, biodegradável, que lindo! Mas quando pedi a nota fiscal, a mocinha fez uma careta e me fez esperar um tanto até preencher aquela nota em bloquinho de papel! Fiquei p da vida! Também odeio pagar imposto, mas pago, chorando mas pago. Agora o mínimo que eu espero de uma empresa confiável é que ela seja tão honesta quanto eu. Fico pensando, se eles não se preocupam de implantar um sistema de notas e só emitem se o cliente pede, será que eles pagam a previdência de seus funcionários, ou só se os funcionários exigirem? será que essa sacolinha linda biodegradável é só um caô? perdeu toda credibilidade comigo. Não compro mais e olha q deram a nota. Não adianta só ser “ecológico”, não adianta fazer projetos sociais lindos, é um pacote inteiro. Tem que adotar uma conduta coerente e ética em todos os campos, não é mesmo?
3 Thera Fajyn // Oct 17, 2008 at 2:50 pm
Também fico P da vida com esses comerciantes que enrolam para dar nota fiscal…
4 Claudia Giane // Oct 17, 2008 at 5:16 pm
O WalMart/Bompreço vende roupas “ecológicas”, já viu? Feitas de bambu. Dizem que pretendem ampliar o portfólio. Melhor pra todo mundo, né? (não, eu não trabalho com eles…rs)
5 Vida de Viajante // Oct 17, 2008 at 7:14 pm
Oi Lucia!!!
Também acho um saco não encontrar opções mais conscientes ao alcance do bolso e das mãos.
Eu só conhecia algumas confecções de camisetas promocionais (que usam garrafas pet misturadas ao algodão) e uma especialista em roupas pra atividade outdoor (a Solo) que fez uma linha chamada EcoFried (http://www.ecofriend.com/).
Elas são de fibra de bambu, biodegradável e parece que a cada camiseta comprada equivale a uma árvore plantada.
Espero que eles ainda estejam plantando mesmo
6 flep // Oct 17, 2008 at 10:54 pm
Hey, belo site!
Tenho um site gringo - que envia pro brasil, e mesmo com frete, sai menos de 50 bucks, entao nao tem problema de ficar retido - e tem camisetas de algodão orgânico, alem de varias com mensagens super bacanas - e acredite, a galera OLHA na rua hehehe.
http://bant-shirts.com
7 flep // Oct 17, 2008 at 10:56 pm
err, so pra nao ficar estranho, tenho um site gringo “pra indicar”… ficou parecendo que o site é meu ¬¬
8 Lucia Freitas // Oct 20, 2008 at 1:55 pm
@Claudia Giane: Oi, Claudia.
Sim, eu sei desta malha de bambu. Tenho até uma camiseta super delicia feita do material. a minha questionática, entretanto, é outra: não tem volume, não tem preço bacana, não tem… Dá uma olhada lá no blog que eu citei, o GreenLoop e veja a diferença. E eu nem comentei as grifes eco que crescem como mato por lá. Gente preocupada não só com tecido, mas com corte, com produção, com sustentabilidade…
Bah, esse assunto me deixa de mau humor, de verdade.
bj querida e obrigada pela visita
@VidadeViajante: Né? Isso que nem entrei nos cosméticos, tênis, jeans… afe! Horror. País atrasadinho… raiva, raiva.
@Thera: É nada, querida. Mas mesmo que o material seja menos “escalado” (produzido em escala) o produto não pode ser caro - acesso é tudo, não?
Enfins… eu estava num gigantesco mau humor quando escrevi, deu pra reparar?
bj e obrigada pela visita
@Catia Kitahara: Cátia!
mega belo comentário! É isso mesmo, queridona. Eu tenho o maior pé atrás com estas histórias quando não mostram nada - dizem que é e pronto - e depois quando chego à loja, nada de NF, os funcionários são obviamente mal pagos, não têm direitos respeitados.
Conseguir descobrir tudo isso, teoricamente, é muito fácil. Os dados, a principio, estão na rede. Mas só quando a gente vai atrás de verdade consegue perceber a gigantesca dificuldade para encontrá-los, filtrar, adequar.
Obrigada pela visita - tenho passeado lá no teu quintal - ainda sem comentar.
@flep: olá! Obrigada pela indicação e pela visita!!!
9 Lucia Malla // Oct 21, 2008 at 11:24 pm
Xará, da mesma Osklen… hj vi numa revista um tênis “reciclado”, feito com a pele do salmão q é jogada fora durante o processamento. Preço: 897 reais.
Impraticável, simples assim.
10 Ana Candida // Oct 22, 2008 at 8:15 pm
Caros, visitem o site http://www.ecotece.org.br, tem algumas dicas por lá, inclusive um estudo da tão divulgada fibra de bambu - entrem no botão ESTUDOS.
Na loja Borali vendemos as camisetas Ecotece feitas com a fibra de PET reciclada e com um design lindo. São confeccionadas por um grupo de costureiras com quem fazemos um trabalho de capacitação e geração de renda. Nesse link tem alguns modelos de camisetas, mas na Borali vocês encontram outros: http://www.ecotece.org.br/conteudo.php?p=21&i=64
saudações do vestir consciente
11 Lucia Freitas // Oct 23, 2008 at 2:26 am
@Lucia Malla: Xará eu tenho cá pra mim que ecologia deve passar sempre pelo comércio justo. Quero saber como estão as comunidades que produzem. Quero saber se não é “fachada verde”… onde tem a info? em lugar nenhum! humpft
@Ana Candida: bacana, eu vi a história da Borali no Guia Verde. Mas de verdade? Falta muito para a gente conseguir fazer o q o povo faz lá nos States. Tipo uns 2 ou 3 mil anos luz, sabe? Tem de tudo: jeans, tênis, camiseta, maquiagem, perfume… uma onda verde a preços acessíveis (para eles). Toda loja tem departamento Eco ou reciclado… que vergonha deste país.
Comente