Quando fiz o post sobre o projeto Rota da Reciclagem, a Anny comentou sobre a reciclagem de isopor. Então, Anny, este post é pra você!
Na minha cabeça, isopor é um super vilão na reciclagem. E pode ser mesmo!
Apesar de existirem processos que permitem reutilizar isopor como matéria prima na fabricação de outros produtos ou até transformá-lo de novo em poliestireno, é praticamente inviável fazer isso funcionar.
Além do isopor ter baixo valor no mercado, sua densidade e peso são baixos. Para ter uma idéia, basta saber que um caminhão tanque lotado de Poliestireno Expandido transporta apenas cerca de 190 kg de isopor. Para a reciclagem, é preciso juntar toneladas de isopor, quer dizer, ter enormes espaços nos depósitos para acumulá-lo e muitas viagens para transportá-lo.
Some-se a isto, a desvantagem ambiental do longo tempo de decomposição na natureza e entenderemos por que isopor é tido como um vilão da reciclagem.
A Associação Brasileira de Poliestireno Expandido, Abrapex, mostra o processo em detalhe e ainda tem um guia de padronização. No site da Prefeitura de S. Paulo, descobri que faço tudo certinho: lavo, seco e mando para a coleta seletiva. A notícia de 2006 diz o seguinte:
Levado às centrais de triagem, o isopor é separado dos demais resíduos, compactado e comercializado. Atualmente são recicladas trinta toneladas de isopor por mês. A expectativa é que esse número dobre, melhorando a qualidade de vida de quem participa da coleta seletiva e da cooperativa que comercializa o material, pois o valor arrecadado é revertido para os cooperados.
- Enquanto isso, lá no Rio Grande (do Sul), os fumicultores usam as bandejinhas para plantar seu sustento. A notícia é de 2004…
- Já a Revista Sustentabilidade conta (há quase um ano atrás) que as empresas iriam fazer uma campanha para aumentar o recolhimento do material, que estava em 20%. Pouco, se a gente pensar que recicla 98% do alumínio.
- E lá em Goiânia, o Instituto Biosfera inventou um jeito de fragmentar o material e reutilizar para gerar renda na comunidade.
- Em notinha do Instituto Akatu, também do ano passado, a gente descobre que a dificuldade de reciclar é mesmo logística. Céus!
Aqui em casa eu tenho uma tradição: evito isopor como se fosse o diabo. Claro que às vezes não dá pra correr: hoje mesmo veio uma bandejinha junto com o lombo de porco. Tá gente, tá, não é pra comer carne, mas eu como um pouquinho… São as piores bandejinhas, inclusive, porque agora o povo inventou de “incorporar” o absorvente. O resultado é que não dá pra reciclar.
Parênteses. Hoje, na fila do supermerecado, vi uma cena que nunca imaginei: alguém comprou pokãs sem colocar no saquinho. Fica mais difícil para a moça pesar, mas evita um saquinho. A esperança de uma consciência mais profunda morreu com o ensacamento nos saquinhos do supermercado… mas é uma luzinha, eu sei que é.
No caso do isopor, o que você diz? Reduzir, reusar ou reciclar? Dá para ter os três ao mesmo tempo?








2 responses so far ↓
1 Inagaki // Jul 10, 2008 at 1:46 am
Joaninha, seu post me fez lembrar da época em que os Big Macs vinham em embalagens de isopor. Tô ficando velho mesmo…
Em tempo: reciclo isopor da mesma forma que faço com as garrafas de refri e sacolas de supermercado. Mas esse post foi ótimo para que eu me conscientize de que o negócio, mesmo, é evitar isopor enquanto essa dificuldade de reciclá-lo não for resolvida…
2 Lucia Freitas // Jul 10, 2008 at 2:18 am
Oi Inagaki! Eu também lembro (embora deteste McDonald’s). Idade pura… respirei meio aliviada com as informações do Portal da Prefeitura aqui de Sampa. Sei que os catadores estão bem organizadinhos e a coisa mais ou menos funciona. Agora só falta o pessoal engajar
Obrigada pela visita, viu? bj
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