(post inspirado pelo ótimo artigo da Ágatha no Faça a Sua Parte)
Dia 15 de março é dia do consumidor. E semana que vem seremos o centro do noticiário. Enquanto o Greenpeace promove atividades nas principais cidades brasileiras - e nosso Escriba de plantão está em Amsterdã - vamos aproveitar para repensar os hábitos de consumo?
O descartável surgiu por uma pressão econômica: fazer dinheiro. Quanto mais rápido a gente troca algo, mais o dinheiro circula. Esta é uma das premissas de uma determinada fase do capitalismo - que a Ágatha mostra bem no seu post. A história aqui é: você realmente precisa de algo novo?
Eu fico impressionada com a rapidez que a gente consome novos gadgets (eu não sosseguei enquanto não arranjei um smartphone pra chamar de meu). E com a voracidade para novas roupas
, outras cores, maquiagem. No supermercado, rola um atordoamento: são zilhões de produtos de limpeza (que fazem praticamente a mesma coisa), a cada mês novos cheiros, cores. Para completar, filmes bacanas e páginas de anúncios tratam de nos encantar.
A história é gigante - e até hoje moveu o mundo. E a gente sabe que, do jeito que está consome mesmo 2 planetas e tanto para manter esta produção toda no ar. Pior: exclui milhões de pessoas da categoria dignidade. Do jeito que está não dá, mas é difícil abrir mão de algumas coisas, né?
Um exemplo claríssimo para mim é a história do carro. Todo dia em Sampa temos centenas de quilômetros de congestionamento. A melhor época do ano, por aqui, é janeiro, quando os paulistanos se divertem atormentando ruas mais praianas, digamos. A cidade é gigante, não há rua pra tanto carro. Os bons apartamentos, mais velhos e espaçosos, são depreciados porque… têm apenas uma vaga de garagem (o meu não tem nenhuma… o preço vai pro pé). E para completar, todo mundo quer ter o seu.
Por que? Há casos em que carro é bacana, necessário, importante. Famílias com crianças, por exemplo, eu acho que têm preferência. Quem mora muito longe, também. Mas a minha vida melhorou sensívelmente na ausência do carro. Como diziam os cartazes da Edelman, ônibus é 2.0 (e eu gosto desta brincadeira).
Sem carro, eu preciso ser mais frágil, mais humana. Tenho que me preocupar com o horário do ônibus, do metrô, do táxi. Atentar para a segurança, o estado das calçadas - e cuidar do espaço público. Pensar se haverá almas caridosas para dar uma carona para ir e/ou voltar da festa, bar, encontro. E ganho uma legião de amigos que cuidam de mim, conversas saborosas, histórias divertidas.
Não vale para todos, eu sei. Mas vejam, depois que começamos a falar mal das sacolas de plástico, a usar sacolas de verdade para ir às compras, a escrever sobre isso, a mudança apareceu. Até sacola chique de compra já tem (custa um dinheirão…). Não importa. Importante é: menos sacola de plástico - e muitos formadores de opinião que preferem sacolas perpétuas.. Será que escolho os carros para próximo alvo? Estou pensando nisso… à beira de mais um dia da mulher (que tem postagem coletiva contra a mulher “vendida” em nome do Brasil).
Foto: Craig Jewell/SXC






8 responses so far ↓
1 Allan // Mar 7, 2008 at 5:37 am
Vou trabalhar de bicicleta e se devo viajar sozinho, prefiro ir de trem. O carro fica para os dias de neve ou chuva e para os passeios de fim-de-semana com a família quando o objetivo é na província. Muita gente que conheço prefere não ter carro, mesmo havendo condições econômicas para ter um (ou um montão).
A questão de escrever e criar um movimento em torno das sacolas de plástico está dando resultados práticos e acho que podemos aproveitar a experiência para outros maus hábitos. Nápoles está fechando: hotéis, restaurantes e o comércio que gira em torno ao turismo começa a demitir em massa. Turistas evitam lugares com toneladas de lixo pelas ruas.
Um outro argumento que tem chamado a minha atenção - falando sobre o dia do consumidor - é a quantidade de produtos “derivados” com funções diferentes do produto original. Você já prestou atenção na quantidade de yogurtes específicos que cuidam da pele, regularizam o intestino, protegem de contaminações e etc.?
Somos cada vez mais consumidores.
2 Meire // Mar 7, 2008 at 8:07 am
Viemos aqui para lembrar voce que amanha eh dia de nossa coletiva pela
valorizacao da mulher brasileira ! Ja contamos com cerca de 200
pessoas que assim como voce abracaram com carinho essa linda campanha
pelas mulheres. Amanha eh dia de luta na blogosfera e contamos com seu
apoio.
Se ainda esta sem ideias para seu post, busque inspiracao em nossos
blogs pois la voce encontrara varias ideias de abordagem. Se ainda nao
for suficiente nos escreva que podemos lhe ajudar sem duvida.
Um forte abraco e amanha fique certo que nos e mais um monte de
pessoas estaremos aqui para ler o que voce tem para nos contar !
Meire - http://meiroca.com/2008/02/05/pela-vlorizacao-da-mulher-brasileira/
Lys - http://universodesconexo.wordpress.com/coletiva-pelas-mulheres/
3 Enio Luiz Vedovello // Mar 7, 2008 at 2:30 pm
Há alguns anos eu vi surgir um movimento na Europa, pessoas que se recusavam a atualizar seus gadgets, em especial computadores e softwares. Infelizmente não sei como isto ficou. A pergunta principal é, realmente “será que eu preciso MESMO disto, ou apenas quero porque é bacana”?
Se cada um de nós tomar consciência e deixar de trocar o que está funcionando, o lixo diminui absurdamente.
Com relação ao carro, eu sonho com transporte de qualidade em São Paulo, que me permita deslocar-me rapidamente de um trabalho para o outro ao mesmo tempo em que aproveito para ler, relaxar e ouvir música. Será que é pedir demais?
4 Sam Shiraishi // Mar 7, 2008 at 4:44 pm
Lu, acabei de postar linkando aqui, porque na volta da escola hoje cedo pensamentos parecidos me vieram à mente… chego em casa e vejo seu post! Sintonia boa!
Beijos
Sam
Eu estou na nova casa a vida como a vida quer. Muda no seu blogroll, querida? O rss feed ainda é o mesmo.
5 Neto Cury // Mar 7, 2008 at 10:18 pm
Este teu texto é de uma lucidez impressionante, faz pensar!
Agora, verdadeiros xiitas do meio ambiente não usariam carro nenhum!
6 Johnny C // Mar 8, 2008 at 12:07 am
em certos casos eu concordo contigo. em outros, não. Carro acaba sendo um mal necessário muitas vezes. Minha sorte, quando tive o carro da minha vó pra usar, é que meus horários NUNCA batiam com os de congestionamento! nem pra ir pro trampo eu pegava transito!
em compensação, ainda quando trampava em osasco, quando passei a pegar ônibus (minha tia pegou o carro depois que minha vó faleceu), me fu** completamente. As vezes o ônibus levava 1h pra passar… e depois era mais 1h até o trampo. Ai quando o trampo mudou pra Sto. Amaro, enquanto 99,9% do pessoal reclamava da mudança, eu agradecia. 45-50 minutos pra ir (pegava onibus na Rebouças, e trêm até Sto. Amaro, depois andava uns 10 minutos - o trampo tá em frente à Pte. Transamérica).
e apesar de achar ótima a idéia da sacola… ainda não achei em nenhum lugar. O único lugar que eu sabia que tinha, o Pão de Açucar, desde que perdi o carro não fui mais lá - só compro no mercadinho da esquina e eles nem sonham com isso.
Bom, enquanto minha vida continua nômade, eu tenho que me preocupar pouquissimo com sacolas, pq só compro uma coisa ou outra no final de semana em sampa, e aqui em Brasília eu sou praticamente um convidado com privilégios (por enquanto, pelo menos) rs…
beijos kerida!
7 Lucia Freitas // Mar 8, 2008 at 2:38 am
Allan, querido: pois é. Mas o sistema de transporte por aí é BEM melhor que o daqui… esta é a grande desculpa do povo aqui para evitar o transporte público - sem falar nas dimensões continentais de Sampa…


Sobre os iorgurtes: sigo com o meu mesmo, feito em casa, sem conservantes. Faz um bem danado - pra tudo e pro bolso…
Meire: post publicado. Está meio pé quebrado, mas foi o possível.
Sam: já fui lá
Enio: não adianta pedir, tem que brigar. E briga só se compra com uso. IMHO.
Neto: acho que xiitas do ambiente usam, sim. Carros a hidrogênio, solares, elétricos. Já existem alternativas. E caem no slot da diversidade
J.C: ter condução rápida e prática é sonho de todo paulistano. Sobre as sacolas: quando passar numa feira compre aquelas de plástico, listradas. São ótimas e resolvem a questão. Não precisa ser de marca. E no post tem as do Carbono Zero. Aliás, tem muitas pra comprar na web… procure.
8 Lucho // Mar 8, 2008 at 4:34 pm
Sem se esquecer dos celulares. Creio que é onde fica mais evidente essa política do descartável. Conheço gente que trocou três (!!!) vezes de celular em um ano. Infelizmente é moda trocar de celular todo ano.
Pelo menos eu faço a minha parte. Desde que ganhei o meu primeiro celular, há cinco anos, só troquei de celular uma vez; e tive de trocar porque não tinha jeito, senão eu continuava com o “velhinho” até hoje.
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