Hoje abri o jornal e descobri que um moço de 19 anos morreu a uma quadra de casa, enquanto eu, atordoada pelo cansaço, dormia… Sim, trata-se do jovem garçom que foi esfaqueado no Morro Branco, mais conhecido por Amarelinho. Bar que, confesso, freqüento com meus amigos quando o dinheiro está curto ou não quero “fazer exposição de minha figura”.
Depois do francês morto após a Parada Gay, este é o segundo incidente violento aqui por perto. Nota-se, desde os “atentados do PCC” do ano passado, a redução do policiamento no bairro - que é chique, endinheirado, tem delegacia bacanuda bem pertinho. A PM tem medo da rua, a Civil não foi feita pra policiar me conta minha fonte.
Enquanto isso, cidadão trabalhador que vai tomar sua merecida cervejinha com os amigos após a semana de trabalho corre o risco de não voltar para casa. Tanto no Estadão (a matéria está melhor, mas fechada para quem não é assinante) como na Folha, tem-se a impressão que a história foi de graça - um bando de meninos, convenientemente rotulados de punks, que saiu quebrando o que encontrou pela frente.
Apesar do dia conturbado (hoje faleceu o Mário, marido da Gina, zeladora aqui do prédio) tentei conversar com o povo do Amarelinho. Sem sucesso, claro, porque ninguém quer comentar o que aconteceu. Entre as fontes alternativas - taxistas e a concorrência - que estão disponíveis neste domingão meio esquisito, ninguém estava por perto durante a confusão.
Juro que lembrei do Zé Grandão dizendo que o ofício de repórter se faz 24 horas por dia - “a gente ouve o barulho e vai lá ver o que está acontecendo”. Me senti uma péssima repórter hoje. Poderia ter furado tanto Estadão como a Folha aqui no Ladybug…
proteção indizível
June 24th, 2007 · 4 Comments
4 responses so far ↓
1 Gisele // Jun 24, 2007 at 6:57 pm
Esses dias teve um assalto a banco perto da minha casa, e a polícia e os ladrões resolveram trocar tiros na porta da minha casa. E cá estava eu, mandando tudo via MSN, para o jornal! Hoje em dia o bom é andar com um celular que fotografa, filma e assobia, porque a notícia está em todos os lugares!
2 Lucia Freitas // Jun 24, 2007 at 9:18 pm
Oi, Gisele
Sabe o pior? Era que eu estava absolutamente exausta e num sono pesadíssimo. Ando com câmera fotográfica 24/7 (que também filma), até já fotografei secretária norte-americana peruando na Oscar Freire, só por estar no lugar certo na hora certa. Fiquei passada de ter perdido esta notícia, até porque são lugares queridos, que fazem parte do meu dia-a-dia. Enfins… a gente não ganha sempre
3 Maysa // Jun 24, 2007 at 11:20 pm
Que coisa… está ficando impraticável essa violência. Eu não sou reporter, nem nada na área. Ficaria tão desesperada num momento delicado que nao me serviria de nada uma câmera que fotograma e filma, celular…
É difícil.
Parabéns pelo blog. Conhecí hoje.
Maysa
4 Lucia Freitas // Jun 25, 2007 at 1:17 am
Oi, Maysa
Bem-vinda ao mundo da Joaninha. eu não sei como reagiria frente à violência. A última cena violenta em que me vi envolvida aconteceu dentro de uma sala de cinema, num shopping em S. Paulo, com amigos. Foi horrível e, infelizmente, não houve uso possível para a câmera, nem para o celular enquanto éramos atacados. Eu nem mesmo relatei o caso aqui (acho)
Me parece que o mais fundo disso tudo é o fato de que há outros seres humanos absolutamente fora de si, tão desconectados de tudo que simplesmente matam seus semelhantes. Como já cantamos durante a ditadura: o negócio aqui tá feio. (pior é que é no mundo inteiro)
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