Ladybug Brasil

Sobrevôos, descobertas, achados. Me deito na web para que as joaninhas (ladybugs, mariquitas) apareçam. Sob meus dedinhos, embaixo dos teus olhinhos.

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Nascer é normal - uma homenagem ao dia da mulher

March 8th, 2007 · 5 Comments

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Vocês já sabem do seminário de Mary Swart. Compareci de videomaker (já já trechinhos via YouTube) e não tive como escrever nada… Então pedi à linda da Maria Lígia Conti, uma lutadora jornalista, que faz a Revista Pais, em Sorocaba (interior de São Paulo) para escrever um texto. A nossa idéia é comemorar o dia das mulheres resgatando o que há de melhor em nós: a capacidade de trazer à luz uma criança!
Com vocês, Maria Lígia Conti e um trecho do seu especial sobre Gestação e Parto para a Revista Pais, de Sorocaba.

Nascer é normal
Fazemos parte de uma linhagem. Transmitimos, de geração a geração, toda uma bagagem de tradições e costumes, crenças e modelos, passamos para nossos filhos aquilo que aprendemos com nossos pais. Somos, portanto, especialmente as mães, o primeiro modelo de nossos filhos, que nos copiarão e passarão o modelo adiante.
Faz-se então absolutamente necessário que perguntemos a nós mesmas: O que queremos ensinar a nossos filhos? Que aspectos culturais queremos transmitir a eles?
E tudo começa na comunidade. Como a nossa comunidade vê a mulher?
Como bonecas? Objetos? Entregadoras de produtos com qualidade testada e aprovada previamente (em forma de bebês sadios)?

O que vemos como normalidade, dentro do assunto parto e nascimento?

Com essa pergunta Mary Zwart, parteira holandesa, iniciou seu seminário intitulado Humanização do Parto – a democratização da vida, oferecido pela Associação Palas Athena, em São Paulo, no dia 28 de fevereiro deste ano.

Com uma boneca nas mãos, ela nos conduziu a uma avaliação inusitada. A bonequinha, modelo grávida, de pernas esguias, cabelos louros e olhos azuis, traz um filho na barriga, porém nada entre as pernas - como colocou Mary – a criança em seu ventre sairá por um abertura na barriga!
Como não pensamos nisso? Como não percebemos as mensagens que passamos a nossas crianças? Filhos não saem pela barriga! A menos, claro, que haja algum problema com a mãe ou o bebê.

O que é um parto natural?

Normal é o que acontece normalmente. Se a maioria dos nascimentos forem cesarianas, o normal passa a ser a cesariana. Passamos a entender alguma coisa como o normal, por força do hábito, do comum. Porém, é importante que ampliemos nossos horizontes, que vejamos além da curtina de nosso quartos. Na Holanda, por exemplo, 85% das mulheres têm seus filhos nascidos “naturalmente”, 70% delas não fazem uma única visita a um médico durante todo o seu período de gestação e 30% dessas têm seus filhos em casa. Isso não significa rebeldia ou ignorância, nem pouco caso com o futuro dos bebês ou pessoal. A questão é simples. Por lá, a gravidez não é uma doença, portanto não exige o envolvimento de um médico, a menos que haja alguma complicação, quando então o médico, o curador, será necessário. Também é importante registrar que as parteiras na Holanda passam por um período de 4 anos de estudos em obstetrícia. No Brasil já temos, desde 2005, o primeiro curso de graduação em enfermagem obstétrica, na USP Leste/SP, com duração de 4 anos.

Assumindo o poder

Mulheres holandesas fazem questão de ser senhoras de seu destino. Elas indagam, questionam, informam-se, fazem opções e decidem, assumindo suas responsabilidades e o poder que lhes cabe na comunidade. Nós, brasileiras, temos um longo caminho a percorrer antes de chegarmos ao modelo oferecido por aquela sociedade que tem o menor índice de aborto no mundo, a mais alta taxa de contracepção e a mais baixa taxa de adolescentes grávidas (a média de idade das mulheres grávidas é de 29 anos). Um país onde a adolescente que engravida recebe apoio da família e da sociedade, continuando seus estudos e dando prosseguimento a seus sonhos. Um país onde o dinheiro do cidadão é investido onde ele entende que deve ser investido, sendo que, ao invés de gastá-lo em cirurgias desnecessárias e perigosas, a mulher investe em quem possa ajudá-a nos serviços da casa, depois do nascimento do bebê, no apoio ao aleitamento, no seu ninho e suas necessidades.

5 responses so far ↓

  • 1 Manogon // Mar 8, 2007 at 6:52 pm

    Olá, Lúcia. Achei muito interessante a matéria. O negócio das bonecas realmente é algo que a gente não percebe. Hipocrisia porque a criança se descobre e, uma vez que veja uma boneca sem nada entre as pernas também pode achar que uma ddas duas tem algo errado. Lembro agora que minha filha tem uma boneca (já um pouco antiga) que tem vagina e já vi também outro boneco que tem pênis, o que seria a normalidade. Mas confesso que nem todo mundo encararia com normalidade, justamente pela questão cultural.
    Outra coisa que achei legal foi a questão do parto natural. Sabe que fiz um curso de gestante com minha mulher e o médico que deu a palestra passou uma visão diferente: parto normal por quê? Os outros são anormais? Ou natural? Os outros não são? Ele dizia que era de via alta ou via baixa. É claro que são nomenclaturas que no dia-a-dia nem sei se pegariam.
    Abraços. Parabéns pelo texto.
    Manoel

  • 2 Sam // Mar 8, 2007 at 7:30 pm

    Oi Lúcia
    cá estou eu, comentando a seu pedido e convite.
    Adorei o começo do texto, que fala sobre o que passamos aos filhos, daquilo que recebemos, enfim, nosso legado de vida.
    Mas eu tenho uma rebeldia com este tema de parto natural e de amamentação. Amamentei (anos, diga-se de passagem) meus dois filhos, mas não acho que ninguém hoje em dia tem obrigação de fazê-lo só porque É NATURAL. O mesmo penso do PARTO NATURAL. No meu primeiro filho passei meses de estresse preocupada em não conseguir o tal parto natural, que era tão amplamente difundido e defendido no curso de gestantes que fiz (na Associação Médica do Paraná). Não tive natural, não dilatei, não tive contrações, o bebê quase nasceu tarde de tanto esperarmos o tal parto natural. Foi cesárea e foi excelente. Não sofri nada que outra mãe não sofra. Nem tampouco creio que fui menos ou mais feliz. Na segunda gestação, bem mais sábia e tranqüila, eu já cheguei no médico falando: “para quando vamos marcar a cesárea?”. Mas tenho amigas que tiveram parto normal, acho que isto deveria ser uma escolha, outro direito das mulheres, não uma imposição social.
    Esta comparação que se faz com países como a Holanda, considerados mais modernos, sábios e civilizados que os nossos… bem, iniciei o primeiro pré-natal em Tokyo, não fui melhor atendida que aqui. Lá eles têm regras expressas, imutáveis até, porque a população é “fisicamente homogênea” e os partos, os bebês, enfim, as questões de saúde tendem a ser também. Mas aqui no nosso país? Nossa diversidade (da qual me orgulho, até pela mistura de sangue que tenho) não permitiria que fosse assim. Uma amiga teve a filha na Suíça e sofreu horas de um parto dificílimo porque eles não aceitavam ajudar em nada, tudo tinha que ser “natural”. Será que está certo?
    Enfim, na minha opinião, NATURAL É SER FELIZ POR SER MÃE, seja de forma natural, cirúrgica ou legal. E natural, mais ainda numa data como a de hoje, é a mulher poder escolher aquilo que é melhor, mais seguro, mais feliz para si.
    Abraços e que seu dia tenha sido feliz.
    Sam

    P.S. Aqui em casa não temos muitas bonecas, porque as crianças são do sexo masculino (só uma Mrs. Incredible ou Wonderwoman),mas meus filhos sabem que nasceram de um corte e que outras crianças nascem de parto normal. Tudo de forma natural.

  • 3 Lucia Freitas // Mar 8, 2007 at 9:03 pm

    Manoel,
    Dizer via alta e via baixa é um jeito dos médicos, estes chatos, mudarem a língua e trocarem significados. Se eles disessem “extração de bebê” em vez de cesárea não seria tão tranqüilo, né?
    Sam,
    A gente começou a conversa por e-mail. Não tenho resposta pra tudo (até porque nunca trouxe seres humanos à luz, apenas idéias). Marquei, no entanto, um lugar para mim neste assunto. Uma posição-ponto de vista bastante sério, embasado em mais de 50 edições da finada revista Mãe e seus derivados, que eu tive a honra de editar e chefiar. Depois de conversar com os melhores obstetras e pediatras deste país, cheguei à conclusão que o Parto normal/natural é o melhor na MAIORIA dos casos. Na Holanda, a taxa de extração de bebê é de 11% (abaixo do índice recomendado pela OMS). Eles acham que é muito.
    É uma coisa de cultura - não tem nada a ver com miscigenação nem raça. Parto é cultura. Aqui no Brasil a mulherada tem medo é de ficar “larga”, “laceada”. Acaba mutilada por episiotomias desnecessárias. Não é orientada a fazer os seus Kegel exercises (para fortalecimento do períneo). A gente não usa tecnologia de ponta na hora do parto. Lá na Europa tem uma prostaglandina que eles colocam no colo do útero e faz dilatação. Nada daquele soro horroroso (sim, já assisti a alguns partos) que demora pra fazer efeito e é ineficiente para alguns casos.
    Sabe qual é a diferença? Cultura. Tem mais: isso não acontece em todos os países da UE. Na Espanha, p.ex, há obstetra dizendo que a mulher escolher o que quer é “tonteria”. Detalhe: ele disse isso para um documentário!!!
    Esta é a questão de fundo desta discussão, acho eu. Mulheres que fogem do parto do jeito que a natureza concebeu. Nossos médicos, inclusive, não sabem esperar. Obstetra quer dizer aquele que espera. Acho bacana que a sua extração de bebê foi legal. Também acho que amamentar não é obrigação - até porque pode dar tesão e aí o negócio complica. Também não acho que toda mulher que é mãe é feliz. Infelizmente. O meu primeiro desabafo tem um pouco a ver com isso, né? Existe uma pressão enorme para que as mulheres sejam mães, encontrem seus companheiros, entrem no caminho “que está escrito”. Está escrito onde? Por quem?
    São pequenas reflexões que faço, que considero necessárias para que a gente crie um futuro melhor.

    Para Sam e Manoel:
    É um prazer, sempre, ter gente tão bacana, inteligente e consistente por perto. Abençôo o dia que respondi o e-mail da Ceila no JW. Abençoo o dia em que fizemos este encontro, tão real e tão virtual. Obrigada Sam (mãe) e Manoel (pai) por virem aqui compartilhar seus saberes, delicadezas e histórias.

  • 4 Ceila Santos // Mar 8, 2007 at 10:48 pm

    é amiga, cultura, cultura, cultura! acho que se encher este comentário com a alternativa mais urgente adianta?? cultura, para mim, é a resposta de todos esses desafios e leva tempo e precisa ser revista já. acho que estamos cumprindo com nosso papel e tomare que sejamos ouvidos…bjkas. de quem te admira muito ceila, do desabafo de mãe, o portal que acredita na cultura, em todos os sentidos

  • 5 Alessandra // Oct 17, 2007 at 9:11 pm

    Olá pessoal. Tenho 24 anos, gesnante de 4 maravilhosos meses. Quero parto natural em acsa e na água, mas não sei como convesar com minha mãe sobre isso; que ontem me levou na médica das minhas irmãs, que fez todos os 3 partos cesárea, sem o mínimo esforço para tentar o normal, que pra mim de normal dentro de um hospital não tem nada.
    Minha mãe está sendo minha fada, cuidando de tudo. Mas não me deixa respirar, já quer até fazer o plano da maternidade para ir pagando. Ela é conduzida pelo modelo tradicional de medicina obstreta, acha que é o único correto para ter neném.
    Me ajuda?

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